Associação de Delegados da PF podem estar agindo contra a Lava Jato

A Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) encaminhou na tarde de ontem ao presidente Michel Temer (PMDB) um ofício pedindo a troca do diretor-geral da corporação, o delegado Leandro Daiello.

No ofício de duas páginas assinado pelo presidente da ADPF Carlos Sobral, a entidade afirma que a mudança é “salutar para a instituição e para a continuidade das grandes operações policiais”.

A Polícia Federal, no entanto, informou que, ao contrário do que sustenta a ADPF, foi reforçado o número de delegados responsáveis por inquéritos que tramitam perante o Supremo Tribunal Federal (STF), aqueles que têm como investigados políticos com foro privilegiado. A corporação, no entanto, não detalhou o número de profissionais que atuam nesse núcleo.

A PF também explicou que os recursos previstos no Orçamento da União para que sua superintendência no Paraná toque a Lava Jato em 2017 já foram empenhados e, portanto, estariam integralmente assegurados para o ano.

A PF não se pronunciou especificamente sobre o pedido de substituição do diretor-geral, Leandro Daiello.

Fontes da corporação, ouvidas reservadamente, sustentam que a iniciativa tem motivação política, já que o presidente da ADPF, Carlos Eduardo Miguel Sobral, foi filiado ao PT de Ribeirão Preto por sete anos – ele se desfiliou em 2004. Além disso, minimizaram a iniciativa, atribuindo-a a um grupo pequeno de policiais. Participaram da assembleia que deliberou por pedir a saída de Daiello 295 votantes, dos quais 212 (75%) foram favoráveis à substituição. O número representa 12% do total de delegados da ativa e aposentados.
A investida da associação dos delegados aproveita o momento de troca do ministro da Justiça para emplacar um novo diretor-geral, pleito antigo da associação, que anseia mais participação nas decisões da corporação. Nomeado em 2011, após a primeira eleição de Dilma Rousseff, Daiello é o delegado da PF mais longevo à frente da instituição. Outros dirigentes exerceram o cargo por mais tempo, mas não eram da carreira.
Fonte: O Estado de S. Paulo