A ÚNICA PROTEÇÃO DA LAVA JATO: A OPINIÃO PÚBLICA

O guerreiro Zeus, da mitologia grega, portava a Égide como a sua arma mais importante nas batalhas. Tratava-se de um escudo que lhe deu grande defesa pessoal, sendo o instrumento mais importante da indumentária. E era também por meio dessa proteção que ficava evidente a sua excelência.

Por isso se diz que qualquer façanha conduzida pela “égide” de alguém significa que ela foi realizada sob o seu poder e proteção. No jargão jurídico, égide representa a proteção de um bem ou determinados direitos. Por exemplo, diz-se que o direito à saúde está sob a égide da constituição.
Quando refletimos sobre essa informação conseguimos facilmente identificar o cenário de guerra em que os brasileiros estão imersos. Em dois lados opostos temos: Lava Jato e políticos.
A força-tarefa está fazendo os mais incríveis esforços, quase sobre-humanos, para combater a corrupção. Por outro lado, a classe política (em que apenas exceções se salvam) trabalha intensamente para asfixiar a mega operação. Uma vez que a quase totalidade dos parlamentares está envolvida em falcatruas, é de interesse primordial suplantar todas as ações da Lava Jato.

A última investida que veio da Câmara dos Deputados articula um novo projeto de lei para garantir anistia ao crime de caixa 2.  Sabemos o que essa manobra significa: nada mais do que uma tentativa de livrar centenas de políticos de eventuais denúncias dentro da Operação.  Eles discutem aprovar um texto que perdoaria automaticamente crimes cometidos até agora, podendo estender a casos como lavagem de dinheiro, peculato (desvio de dinheiro público) e corrupção.
Se uma anistia for aprovada pode até ser possível que a nova lei seja questionada no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas é bem mais provável que isso simplesmente não ocorra.
Para além dessa trama, há ainda aquela que tenta jogar a opinião pública contra os integrantes da força-tarefa.
Ataques  ao juiz Sergio Moro, ao procurador Deltan Dallagnol e aos delegados da Polícia Federal, por exemplo, procuram deslegitimar suas atuações seja em âmbito profissional ou pessoal, inclusive com a cumplicidade de alguns meios de comunicação (como temos acompanhado nos últimos editoriais do jornal O Estado de S. Paulo). Ao que tudo indica, o próximo passo será uma série de acusações infundadas contra aqueles que estão dedicando suas vidas para limpar o Brasil.

Aprendemos até aqui que a corrupção é sinal de Estado fraco, má governança, políticas públicas mal feitas e uma elite política e econômica mal selecionada. Reformas institucionais, políticas e econômicas são necessárias para garantir um aumento sustentável da integridade da esfera pública. Mas uma mudança tão radical precisa de um apoio social que dure, que não seja incentivado por um entusiasmo efêmero.
Só a opinião pública agora pode defender a Lava Jato e seus integrantes.
Como disse Dallagnol: “Nós procuradores da Operação não temos poder econômico, não temos poder político. A nossa única defesa, o escudo que defende a Lava Jato é a sociedade.”
A Lava Jato está sob a égide da opinião pública.
(POR *Elisa Robson é jornalista da República de Curitiba) 
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